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Dosagem química em ppm e mg/L

Uma dosagem expressa em mg/L informa a massa de ingrediente ativo aplicada por volume de processo. Para transformar essa meta em L/h de produto comercial, é preciso combinar vazão, concentração do ativo e densidade da solução — sempre na mesma base.

ppm e mg/L não são sinônimos universais

ppm é uma fração em massa: uma parte de soluto para um milhão de partes da mistura. mg/L é massa por volume. Em água diluída, cuja densidade fica próxima de 1 kg/L, os valores numéricos costumam ser próximos. Em soluções concentradas, salmouras, solventes ou processos com densidade diferente, tratar 1 ppm como 1 mg/L introduz erro.

Antes da conta, registre a base declarada pelo fornecedor ou pelo procedimento: % m/m, % m/v, g/L ou outra. Converter “10%” sem saber qual dessas bases foi usada é uma fonte comum de sobredosagem ou subdosagem.

Da dose à vazão de produto

Para vazão de processo em m³/h e dose em mg/L, a carga de ingrediente ativo é:

carga ativa (kg/h) = vazão do processo (m³/h) × dose (mg/L) ÷ 1.000

Se o produto é informado em fração mássica e sua densidade em kg/L:

vazão de produto (L/h) = carga ativa (kg/h) ÷ [fração mássica × densidade (kg/L)]

Quando o certificado ou a ficha técnica informa diretamente a concentração em g/L, use a carga em g/h e divida por esse valor. Não aplique novamente a densidade, pois ela já participa da concentração em massa por volume.

Exemplo completo

Considere 80 m³/h de água, dose aplicada de 15 mg/L e produto com 10% m/m de ingrediente ativo e densidade de 1,08 kg/L:

Esse é o ponto inicial da regulagem, não a comprovação da dose entregue. A vazão real deve ser conferida por calibração volumétrica ou gravimétrica conforme o procedimento, na contrapressão de trabalho e com o produto utilizado.

Dose aplicada não é concentração medida

A conta determina quanto ativo entra no processo. Ela não prevê automaticamente a concentração que aparecerá depois. Reação química, consumo do reagente, mistura, retenção, volatilização, precipitação, recirculação e atraso de transporte podem separar a dose aplicada do valor medido no analisador ou no laboratório.

Quando existe realimentação por análise, documente o ponto de injeção, o ponto de amostragem e o tempo entre ambos. Ajustar a bomba antes de a alteração chegar à amostra pode causar oscilação e excesso de produto.

Vazão variável e automação

Uma bomba ajustada apenas para a vazão nominal não mantém a mesma dose quando o processo varia. Uma estratégia de antecipação pela vazão pode calcular a referência proporcional; a medição analítica, quando representativa, pode corrigir desvios mais lentos. Limites de saída, condição sem fluxo, nível baixo do tanque, falha de bomba e perda do analisador precisam de respostas definidas no procedimento da instalação.

Confira os três pontos de operação — mínimo, normal e máximo — e compare a vazão necessária com a faixa na qual a bomba consegue dosar de forma repetível sob a contrapressão real.

Checklist de conferência em campo

Ferramenta e conteúdos relacionados

Use a ferramenta relacionada para fazer uma primeira simulação e depois navegue pelos materiais complementares para fechar o raciocínio técnico.

Aviso técnico

Este material é educativo e fornece uma estimativa de carga e vazão. Não define dose, setpoint, compatibilidade química, capacidade final da bomba ou procedimento para uma aplicação específica. A validação deve considerar análise do processo, ficha de segurança, documentação do produto e da bomba, condições reais de campo e profissionais responsáveis.

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